Um trator pesado ou vários tratores leves?
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18 novembro, 2025

Um trator pesado ou vários tratores leves?

É o que a FENDT propõe! Ao invés de tratores cada vez mais pesados, a gigante alemã vai na contramão do mercado e faz melhorias no Fendt Xaver.

A marca Fendt, gigante alemã fabricante de máquinas agrícolas, pertencente ao grupo AGCO, anunciou a nova geração de seu robô semeador, o Fendt Xaver, com uma série de inovações tecnológicas voltadas à agricultura de precisão, robotização de frota e sustentabilidade.

A nova geração do robô incorpora a unidade vSet® da Precision Planting, que permite a deposição de grãos individuais com precisão de centímetros, conforme a distância predefinida no sulco.  Além disso, há previsão de integração da solução Smart Firmer®, com sensores para medir umidade, temperatura, fertilizante e resíduos de plantas no solo, adaptando profundidade e pressão da semente conforme o ambiente. 

Essa integração representa uma evolução interessante ao permitir condições diferenciadas de semeadura conforme a variabilidade do solo, reduzindo erros. Contudo, a maturação dessa função (Smart Firmer®) ainda está em previsão, o que pode implicar em adição de custo ou complexidade operacional para o usuário.

O robô é controlado através da plataforma FendtONE e gerenciado via aplicativo, o “Xaver Cloud”, permitindo monitoramento remoto de toda a frota ou unidades individuais. Também está integrado ao sistema de orientação via VarioGuide com precisão centimétrica, o que viabiliza tráfego autônomo e coordenado com tratores ou outras máquinas.  Quanto à infraestrutura de rede, a implementação de redes 5G será um dos “pré-requisitos” para a cobertura de dados robusta e comunicação da frota. 

A digitalização e conectividade ampliam enormemente o potencial de uso, do planejamento até a execução e monitoramento. No entanto, vale atentar para a realidade de infraestrutura (rede 5G em cobertura rural) especialmente em países como o Brasil, onde a disponibilidade pode variar. Infelizmente, isso pode limitar o aproveitamento máximo dessas funcionalidades, tendo em vista que muitas áreas rurais brasileiras não possuem nem sinal de celular, quem dirá internet.

O modelo também mudou para um conceito de três rodas, com duas rodas motrizes (AWD) e uma roda traseira que atua também como compactadora do solo ao redor da semente.  Em termos de tamanho e peso, o robô tem cerca de 2 metros de largura, o que facilita manobrabilidade; peso máximo lastrado de 250 kg e descarregado menos de 150 kg. 

A bateria de íon-lítio aumentou para 2,6 kWh, permitindo aproximadamente 1,5 horas de operação antes de retornar à estação base para recarga. Um tanque de sementes de 20 litros permite cobertura de cerca de 0,5 ha sob especificação de semeadura de 90.000 sementes/ha. 


A pressão sobre o solo é declaradamente até 80% menor do que máquinas convencionais, e não há emissões de ruído, óleo ou gases — todos componentes relevantes para práticas agrícolas de menor impacto. 


 A diminuição do peso e menor impacto no solo são grandes avanços para áreas com histórico de compactação. Porém, autonomia de 1,5 horas pode implicar em logística adicional, dependendo da área de plantio, talvez seja necessário retorno frequente para recarga ou substituição de robôs, o que pode sobrecarregar o sistema de trabalho. A cobertura de apenas 0,5 ha por tanque parece modesta frente às escalas de produção maiores.

A Fendt destaca que a abordagem do Xaver é pensada para frotas de múltiplas unidades operando em paralelo, por exemplo, seis robôs cobrindo cerca de 3 ha/h (incluindo tempo de recarga).  O robô também mapeia as culturas no campo, o que pode alimentar a base de dados para tarefas posteriores como controle mecânico de ervas-daninhas, aplicação de fertilizantes e defensivos, seja por robôs ou tratores. 

 

Esse posicionamento “frota de robôs” tende a favorecer propriedades de médio a grande porte, ou prestadores de serviços, o que levanta a questão da viabilidade para pequenas e médias propriedades. A escalabilidade pode representar investimento considerável inicial, e como sempre, a adoção somente será viável se os ganhos operacionais compensarem os custos fixos e variáveis.

Para o contexto brasileiro, onde temas como atributos químicos de solo, agricultura regenerativa e práticas de menor impacto ambiental ganham força — o Fendt Xaver pode ter papel relevante:

  • A menor compactação do solo, favorecendo infiltração d’água, crescimento radicular e estoque de carbono no solo 
  • A semeadura de precisão com controle da profundidade e colocação pode trazer ganhos de uniformidade e rendimento — especialmente em solos com heterogeneidade de atributos químicos ou em regiões com restrições de adubação.
  • A digitalização e integração com frota são um passo para “agricultura 4.0”, o que vai ao encontro das demandas por rastreabilidade, eficiência e sustentabilidade.

Por outro lado:

  • A infraestrutura de conectividade (como rede 5G) pode ser um gargalo em regiões agrícolas do Brasil, tornando importante avaliar a viabilidade técnica local antes da adoção.
  • O investimento inicial e logística operacional (ex: recargas, múltiplas unidades robóticas) precisam ser cuidadosamente avaliados frente ao custo e escala da operação.
  • Adaptações locais podem ser necessárias para os padrões europeus ou norte-americanos; revisar suporte, peças, manutenção e integração com sistemas existentes.
  • Eficiência e palatabilidade em áreas declivosas, diferente das áreas testes em terrenos plainos, o sul do Brasil tem áreas de grãos em morros, o que pode dificultar as operações do Xaver 

 

O lançamento da nova geração do robô Fendt Xaver representa um avanço significativo em robótica agrícola, semeadura de precisão, digitalização de frota e sustentabilidade. Para operações agrícolas que buscam reduzir impactos, aproveitar automação e incorporar tecnologias de precisão, ele oferece uma proposta convincente. Porém, como qualquer inovação de ponta, sua adoção exige análise crítica do contexto local — infraestrutura, escala, custos, integração — para que os benefícios sejam realmente alcançados.

O que a Ferticorreção destaca é que as tecnologias a favor da produtividade estão avançando cada vez mais. Um exemplo disso é a empresa indo na contramão de tratores cada vez mais pesados, lutando contra a compactação do solo, tema frequentemente abordado aqui no blog. 

Enquanto não sabemos quando vem e nem quanto vai custar, o que podemos fazer é seguir o manejo da Ferticorreção para evitar a compactação das áreas agrícolas, criando solos resilientes e produtivos. 

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