Plantas daninhas e a incorporação de carbono?
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28 janeiro, 2026

Plantas daninhas e a incorporação de carbono?

Como a infestação de plantas daninhas em áreas de pastagem pode interferir na incorporação de carbono e na engorda do boi?

Quando observamos uma pastagem degradada — com baixo vigor, alta infestação de plantas daninhas e baixa produção de forragem — o primeiro impacto percebido costuma ser o econômico. Menos pasto disponível significa menor taxa de lotação, redução da produtividade por hectare e queda na eficiência do uso da terra. No entanto, os efeitos da degradação das pastagens vão além do prejuízo financeiro: trata-se também de um problema ambiental relevante.

A degradação das pastagens é um tema atual e estratégico no cenário agropecuário brasileiro. Segundo dados da Embrapa, aproximadamente 110 milhões de hectares de pastagens cultivadas no Brasil apresentam algum nível de degradação, sendo que cerca de 28 milhões de hectares encontram-se em estágios intermediários ou severos.

A recuperação e, principalmente, a manutenção dessas áreas em níveis adequados de produtividade representam uma grande oportunidade para o crescimento sustentável da agropecuária nacional. Pastagens bem manejadas produzem alimento, geram renda e desempenham um papel fundamental na incorporação e no armazenamento de carbono no solo.

E tudo começa pelo manejo adequado. Criar um ambiente químico favorável no solo, realizar o controle da acidez, fornecer nutrição equilibrada, utilizar cultivares adaptadas às condições edafoclimáticas, respeitar as alturas de entrada e saída do pastejo e manter a área livre de plantas daninhas são práticas essenciais para a sustentabilidade do sistema.

As plantas daninhas competem diretamente com a forrageira por água, luz e nutrientes, reduzindo a eficiência do uso da terra. Além disso, elevam os custos de produção com controle mecânico ou químico, diminuem o valor nutricional da forragem e demandam tempo e recursos do produtor.

O impacto também é sentido pelos animais. Em áreas infestadas, o gado precisa se deslocar mais em busca de alimento, aumentando o gasto energético e reduzindo a eficiência da conversão alimentar. Contudo, os prejuízos não se limitam ao desempenho produtivo: pastagens com alta infestação de plantas daninhas também apresentam menor capacidade de incorporar carbono ao solo.

Um estudo publicado no Soil Science Society of America Journal demonstrou que pastagens infestadas por plantas daninhas armazenam menos carbono no solo quando comparadas a áreas livres de invasoras. A pesquisa foi conduzida pela Universidade da Flórida, no Instituto de Ciências Alimentares e Agrícolas (IFAS), no Centro de Pesquisa e Educação do Norte da Flórida (NFREC), em Marianna, Flórida, em parceria com a Corteva Agriscience.

No estudo, a forrageira estabelecida era a grama-bermuda (Cynodon dactylon (L.) Pers.), e a área apresentava infestação por caruru-espinhoso. O controle químico foi realizado com o herbicida DurarCor®, à base de aminopiralide (8,95%) e florpirauxifeno-benzil (0,76%).

 

Caruru de espinho (Amaranthus spinosus)
Foto: caruru espinhoso

 

Os resultados mostraram que, além de a incorporação de carbono ser cerca de 15% menor nas áreas infestadas, a biomassa radicular da pastagem foi significativamente maior nas áreas livres de plantas daninhas. A taxa média de lotação também se mostrou superior nas áreas bem manejadas.

Portanto, manter as pastagens livres de plantas invasoras e adotar práticas agronômicas adequadas — como:

  • ajuste do ambiente químico do solo;
  • controle da acidez;
  • nutrição equilibrada do solo;
  • taxa de lotação adequada;
  • respeito às alturas de entrada e saída do pastejo;

resulta em ganhos expressivos de produtividade e sustentabilidade.

Além de aumentar a eficiência do uso da terra, produzindo mais na mesma área, essas práticas geram benefícios ambientais importantes. Reduzem a necessidade de abertura de novas áreas, contribuem para a conservação dos ecossistemas naturais e aumentam o estoque de carbono no solo. Dessa forma, a pecuária bem manejada se consolida como uma aliada na mitigação dos gases de efeito estufa, promovendo sustentabilidade econômica e ambiental — desde que baseada em manejo técnico e criterioso

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