Magnésio, o elemento esquecido
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11 dezembro, 2025

Magnésio, o elemento esquecido

O magnésio é um elemento essencial para o crescimento vegetal, mas muitas vezes é negligenciado. Entenda como o manejo da Ferticorreção auxilia na produtividade

Magnésio, um elemento esquecido 

A nutrição mineral das plantas constitui um dos pilares fundamentais para que sistemas agrícolas alcancem altas produtividades e sustentabilidade ao longo do tempo. Embora nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio (K) sejam tradicionalmente reconhecidos como macronutrientes primários, outros elementos essenciais — como cálcio (Ca), magnésio (Mg), enxofre (S), ferro (Fe), manganês (Mn), boro (B), cobre (Cu), zinco (Zn) e silício (Si) — desempenham funções metabólicas igualmente vitais, muitas vezes em concentrações ou demandas fisiológicas comparáveis ou superiores às de N, P e K.

Entre esses elementos, o magnésio tem recebido atenção crescente na literatura científica, sendo frequentemente descrito como um “nutriente esquecido” ou subestimado no manejo agrícola. Esse cátion bivalente (Mg²⁺) está envolvido em processos fisiológicos e bioquímicos centrais para o metabolismo vegetal, e sua deficiência resulta em impactos diretos sobre crescimento, eficiência fotossintética e produtividade.

 

  • Molécula central da clorofila

 

Figura 1. Ilustração da molécula de clorofila.

 

 

O magnésio ocupa a posição central da molécula de clorofila, atuando como elemento indispensável para a captura da energia luminosa. A fotossíntese, processo que converte energia solar em energia química armazenada em carboidratos, depende diretamente da integridade e funcionalidade das moléculas de clorofila.

É possível ver a deficiência de magnésio quando as plantas apresentam uma coloração amarelada ou um verde opaco, diferente de plantas com adequado aporte de magnésio que apresentam um verde escuro.

Figura 2. Folhas com magnésio deficiente (E) e adequado (D)

 

  • Transporte de carboidratos da parte aérea para as raízes

Como a fotossíntese ocorre predominantemente na parte aérea, a translocação de carboidratos para as raízes é fundamental para a sustentação metabólica do sistema radicular, alongamento e ramificação de raízes, exsudação de compostos orgânicos essenciais à microbiota da rizosfera, complexação de nutrientes e modificação do ambiente químico do solo.

O magnésio é cofator essencial para diversas reações que possibilitam o carregamento e o transporte de sacarose pelo floema. Em condições de deficiência, observa-se o acúmulo de sacarose nas folhas, redução da taxa de exportação para raízes, menor desenvolvimento do sistema radicular e menor tolerância a estresses bióticos e abióticos.

Figura 3. Concentração de sacarose (A) e taxa de exportação de sacarose (B) em plantas de feijão cultivadas com Mg adequado (controle) ou Mg deficiente por 12 dias (Cakmak et al., 1994)

 

Figura 4. Crescimento do feijão comum com teor baixo (E) e adequado (D) de Mg.

 

  • Maior ativador enzimático

O magnésio é considerado um dos mais importantes ativadores enzimáticos da célula vegetal. Estima-se que mais de 300 reações metabólicas dependam diretamente de Mg²⁺, como por exemplo: 

  • síntese de ATP e estabilização de moléculas fosfatadas;
  • atividade da glutationa sintetase, fundamental na neutralização de espécies reativas de oxigênio (EROs);
  • ativação de ribulose-1,5-bisfosfato carboxilase/oxigenase (RuBisCO);
  • regulação osmótica e estabilidade de membranas.

Em ambientes de alta radiação, temperatura elevada ou restrição hídrica, a demanda por magnésio aumenta, pois o estresse oxidativo se intensifica e a planta necessita manter sua maquinaria fotossintética funcional.

 

  • Correção dos teores de Mg do solo

O problema, principalmente nos solos brasileiros altamente intemperizados, é a deficiência de magnésio. Isso ocorre a lixiviação do elemento e sua interação com o alumínio (Al3+) intensifica ainda mais seus baixos níveis no solo.

A calagem com calcário dolomítico, embora contribua para o aporte de magnésio, geralmente contém concentrações baixas do elemento. Seu papel mais significativo consiste na neutralização da acidez do solo, precipitação do alumínio tóxico e criação de condições propícias à absorção de cátions.

Após o ajuste do pH e a neutralização de alumínio e hidrogênio no solo, a etapa seguinte envolve o manejo nutricional. Dentro do manejo de Ferticorreção, recomenda-se o uso dos óxidos de cálcio e magnésio. Estes produtos têm uma alta concentração de magnésio e fornecem rapidamente os elementos às plantas, especialmente em sistemas intensivos ou culturas de alta demanda.

Outro ponto importante de atenção é conhecer os níveis de exportação de cada cultura e fazer, no mínimo, a reposição dos elementos. Caso contrário, lixiviação e exportação irão exaurir os teores de nutrientes no solo, ocasionando a acidificação do sistema agrícola, degradação do solo e produtividades baixas.

Por fim, o magnésio, apesar de sua relevância fisiológica e metabólica, ainda é subestimado no manejo nutricional das culturas. Seu papel vai além da simples participação na molécula de clorofila: envolve a regulação enzimática, o transporte de carboidratos, a formação de raízes e a resiliência ao estresse. Em sistemas tropicais intensivos, o monitoramento e a reposição adequada de magnésio são essenciais para manter a eficiência produtiva e a longevidade do sistema agrícola.

 

 

Fontes:

SILVA, A. et al. INIBIDORES DO FOTOSSISTEMA II: UMA PERSPECTIVA ALELOQUÍMICA. Quim. Nova, Vol. 47, No. 2, e-20230097, 1-11, 2024 Disponível em:  http://dx.doi.org/10.21577/0100-4042.20230097

Marschner, P. Mineral Nutrition of Higher Plants. 3rd Edition. Academic Press, London, 135-178. 2011

CASTRO, C. et al. Magnésio: manejo para o equilíbrio nutricional da soja. Londrina: Embrapa Soja, 2020. 54 p. - (Documentos / Embrapa Soja, ISSN 2176-2937 ; n. 430)

Cakmak, I. Magnesium: A forgotten element in crop production. Better Crops. 94. 23-25. 2010

Cakmak, I., C. Hengeler, and H. Marschner. J. Exp. Bot. 45:1251–1257. 1994

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