Hormônios vegetais
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28 outubro, 2025

Hormônios vegetais

Auxina, Citocinina, Giberelina, Ácido Abscísico e Etileno, os grupos de hormônios vegetais que comandam e regulam os processos fisiológicos das plantas!

Os hormônios vegetais, também conhecidos como fitormônios, são substâncias naturais produzidas pelas próprias plantas em pequenas quantidades, mas com grande impacto sobre o seu crescimento, desenvolvimento e adaptação ao ambiente. Eles atuam como mensageiros químicos, regulando praticamente todas as etapas do ciclo de vida vegetal — desde a germinação da semente até a senescência e queda das folhas.

O descobrimento e o estudo dos hormônios vegetais marcaram um avanço decisivo na fisiologia vegetal e abriram caminho para transformações significativas na agricultura moderna. Compreender como essas substâncias funcionam permitiu ao ser humano manipular processos fisiológicos de forma controlada: estimular o enraizamento de mudas, acelerar o amadurecimento de frutos, prolongar a conservação pós-colheita, induzir floração, quebrar dormência de sementes e até aumentar a produtividade das lavouras.

Hormônios como auxinas, giberelinas, citocininas, etileno e ácido abscísico atuam de maneira integrada, equilibrando crescimento e resposta ao ambiente. O uso racional desses reguladores de crescimento, tanto em cultivos de campo quanto em técnicas de biotecnologia e cultura de tecidos, tem permitido desenvolver plantas mais resistentes, produtivas e adaptadas às condições climáticas adversas.

Assim, o conhecimento sobre os hormônios vegetais não apenas ampliou o entendimento científico sobre o funcionamento das plantas, mas também se tornou uma ferramenta estratégica para o manejo agrícola sustentável e eficiente, contribuindo diretamente para o aumento da qualidade e da segurança na produção de alimentos


Auxinas

As auxinas foram o primeiro grupo de hormônios vegetais descobertos, e desde então têm se mostrado fundamentais para o crescimento e desenvolvimento das plantas. Elas são produzidas principalmente nas pontas dos caules e das raízes (os chamados meristemas apicais), em folhas jovens, embriões de sementes e frutos em formação — embora em menor quantidade nas raízes. Um de seus principais precursores é o aminoácido triptofano. O transporte das auxinas ocorre tanto de célula em célula quanto através do floema, e costuma seguir um sentido predominante de cima para baixo, ou seja, das partes mais jovens da planta para as mais velhas.

Principais funções das auxinas

1. Crescimento e alongamento das células
As auxinas estimulam o crescimento em altura das plantas ao promover o alongamento das células. Isso acontece porque elas reduzem o pH na parede celular, ativando enzimas e proteínas que tornam as paredes mais maleáveis. Com isso, as células conseguem se expandir com a entrada de água e solutos, especialmente potássio, o que resulta em crescimento.

2. Divisão celular e formação de tecidos
Esses hormônios também incentivam a divisão celular, especialmente nas regiões de crescimento ativo, como os meristemas e o câmbio vascular. Junto com outras substâncias, como as citocininas e giberelinas, as auxinas ajudam a coordenar o desenvolvimento dos tecidos da planta.

3. Formação de raízes
Em estacas ou em culturas de tecidos, as auxinas são essenciais para o surgimento de novas raízes. Por isso, são amplamente utilizadas em práticas de propagação vegetal.

4. Dominância apical
Outro efeito importante é o controle da chamada dominância apical. O broto principal (ou ápice) produz grandes quantidades de auxina, o que inibe o crescimento das gemas laterais. Isso faz com que a planta cresça mais para cima do que para os lados. Quando o ápice é removido, geralmente através da poda (Especialmente em frutíferas), essa inibição diminui e as gemas laterais voltam a crescer.

5. Respostas à luz e à gravidade
As auxinas também participam dos movimentos da planta em resposta à luz (fototropismo) e à gravidade (geotropismo). No caso do fototropismo, a luz faz com que as auxinas se acumulem no lado sombreado do caule (fotofobia), promovendo um maior alongamento celular nessa região e fazendo o caule se curvar em direção à luz. Já nas raízes, o acúmulo de auxinas na parte inferior reduz o crescimento celular ali, provocando uma curvatura em direção ao solo.

6. Desenvolvimento de frutos
As auxinas têm papel decisivo no crescimento de frutos, como o morango. Elas estimulam o desenvolvimento do receptáculo floral (a parte carnosa que comemos), sendo produzidas tanto pelos pequenos frutos verdadeiros (os aquênios) quanto pelos grãos de pólen durante a polinização. Se os aquênios forem removidos, o receptáculo não se desenvolve — o que mostra o quanto essas substâncias são essenciais para a formação dos frutos.


Giberelinas

A história das giberelinas começou nos arrozais do Japão, na década de 1920. Pesquisadores observaram uma doença curiosa: algumas plantas de arroz cresciam demais, ficavam finas e acabavam tombando na água, sem produzir grãos. Essa condição foi apelidada de “doença da planta boba” — ou bakanae, em japonês.
Mais tarde, descobriu-se que o causador era um fungo, Gibberella fujikuroi, que liberava substâncias responsáveis por esse crescimento exagerado. Essas substâncias foram batizadas de giberelinas.

As giberelinas são produzidas naturalmente nas partes jovens da planta — como folhas novas, brotos e sementes em formação. Elas se movem tanto pelo xilema quanto pelo floema, os canais responsáveis pelo transporte de substâncias dentro da planta.

Principais funções das giberelinas

1. Crescimento e alongamento das células
As giberelinas trabalham em conjunto com as auxinas para promover o crescimento das plantas. Elas ativam enzimas que tornam a parede celular mais flexível, permitindo que as células se expandam. Isso resulta em caules mais longos e plantas visualmente mais altas e esguias.

2. Divisão celular e desenvolvimento do caule floral
Esses hormônios também estimulam a divisão celular, especialmente em plantas que crescem em forma de roseta — como o repolho e a alface. Durante a floração, sob dias mais longos, as giberelinas fazem com que o caule se alongue e forme o chamado escapo floral, responsável por sustentar as flores.

3. Crescimento de frutos
As giberelinas produzidas nas sementes também influenciam diretamente o crescimento de frutos, como uvas e maçãs, ajudando no aumento de seu tamanho e no desenvolvimento do fruto como um todo.

4. Germinação e uso de reservas
Durante a germinação, as giberelinas têm um papel essencial. Elas ajudam a “acordar” a semente, ativando enzimas que quebram o amido armazenado e o transformam em açúcares simples — a energia necessária para que o embrião comece a crescer. Esse processo ocorre, por exemplo, em cereais como o trigo e a cevada, onde as giberelinas induzem a produção da enzima α-amilase, fundamental para liberar essa energia.


Citocininas

As Citocininas foram descobertas na década de 1950 por pesquisadores da Universidade de Wisconsin, liderados por Folke Skoog, que buscavam substâncias capazes de estimular a divisão celular em plantas. Durante os estudos, Carlos Miller isolou uma molécula chamada cinetina, a primeira citocinina sintética, obtida a partir de compostos presentes no DNA.

Mais tarde, cientistas identificaram a zeatina, a primeira citocinina natural, encontrada em sementes jovens de milho e também no endosperma do coco.
Quimicamente, as citocininas derivam da adenina, uma base presente no DNA, e podem ser naturais ou sintéticas, como a 6-benziladenina (6-BA).

As citocininas são hormônios vegetais essenciais para o crescimento e desenvolvimento das plantas, principalmente por estimularem a divisão celular. Elas são produzidas naturalmente nas raízes, sementes em formação, brotos jovens e folhas novas, e se movem pela planta através do xilema e do floema, conectando as partes subterrâneas às áreas em crescimento.

Quimicamente, as citocininas derivam da adenina, um dos componentes do DNA. Elas podem ser naturais — como a zeatina, encontrada em sementes de milho e no endosperma do coco — ou sintéticas, como a cinetina e a 6-benziladenina (6-BA), muito utilizadas em pesquisas e cultivo de tecidos vegetais.

Principais funções das citocininas

1. Estímulo à divisão celular
As citocininas, junto com as auxinas, são fundamentais para ativar o ciclo celular das plantas. Esse processo é essencial em técnicas de propagação vegetativa, como a cultura de tecidos, onde as células se multiplicam e formam um calo — um aglomerado de células ainda não diferenciadas. O equilíbrio entre citocininas e auxinas define o rumo desse crescimento:

  • Quando há mais citocininas, predominam os brotos e folhas;
  • Quando há mais auxinas, favorece-se o surgimento de raízes.

2. Formação de gemas e ramos
As citocininas estimulam o surgimento de novas gemas e a diferenciação de ramos, especialmente nas partes aéreas. Elas têm uma ação contrária à das auxinas: enquanto as auxinas mantêm a dominância apical (inibindo o crescimento lateral), as citocininas quebram essa dominância, favorecendo o brotamento das gemas laterais. É por isso que podas, em muitas culturas, ajudam a planta a se tornar mais cheia e ramificada.

3. Retardamento do envelhecimento das folhas
Esses hormônios também atuam como um “rejuvenescedor” das folhas. As citocininas retardam a senescência foliar, mantendo a cor verde e a capacidade fotossintética por mais tempo. Isso acontece porque elas diminuem a degradação da clorofila, do DNA, do RNA e de proteínas essenciais. Além disso, atraem nutrientes para a região tratada, o que ajuda a conservar o vigor das folhas.
Nesse processo, elas agem de forma oposta ao etileno, que acelera o envelhecimento.

4. Desenvolvimento de frutos
As citocininas também participam do crescimento e da formação dos frutos. Em culturas como a maçã, o uso combinado de citocininas e giberelinas — como no produto comercial Promalin® — pode aumentar o tamanho e o alongamento dos frutos, melhorando sua aparência e valor comercial.


Etileno

O etileno é um hormônio vegetal gasoso, pertencente à classe dos hidrocarbonetos insaturados, e atua como um dos principais reguladores do crescimento e desenvolvimento das plantas. Ele é sintetizado em praticamente todos os tecidos vegetais, com maior intensidade em regiões de crescimento ativo — como meristemas e nós — e durante processos de senescência e amadurecimento de frutos.
Seu precursor é o aminoácido metionina, e sua difusão ocorre livremente pelo interior da planta. A produção de etileno também aumenta em situações de estresse fisiológico, como ferimentos, déficit hídrico ou ataque de patógenos.

Principais funções do etileno

1. Resposta tríplice em plântulas
Em plântulas que crescem no escuro e sob ação do etileno, ocorre a chamada resposta tríplice:

  • redução do alongamento do caule, devido à inibição do crescimento celular;
  • espessamento do hipocótilo, pelo aumento do crescimento lateral;
  • formação do gancho plumular, uma curvatura que protege a plúmula durante a emergência no solo.
    Essas adaptações resultam em plântulas mais curtas, robustas e resistentes à pressão do substrato.

2. Abscisão e senescência foliar
O etileno atua em conjunto com as auxinas no controle da queda natural de folhas, flores e frutos. Enquanto altos níveis de auxinas mantêm a folha presa à planta, a redução desses níveis e o aumento de etileno ativam enzimas que degradam as paredes celulares na zona de abscisão, levando ao desprendimento do órgão.
Durante esse processo, o etileno também induz a senescência foliar, promovendo a degradação de clorofilas, proteínas, DNA e RNA, o que causa o amarelecimento e o envelhecimento dos tecidos.

3. Amadurecimento de frutos
O etileno é o principal responsável pelo amadurecimento dos frutos climatéricos, como banana, tomate e maçã. Ele estimula a produção de enzimas que degradam as paredes celulares, amidos e clorofilas, resultando em frutos mais macios, coloridos, aromáticos e doces.
Essas transformações envolvem aumento da respiração, acúmulo de açúcares solúveis, síntese de carotenoides e antocianinas, e redução de compostos ácidos e fenólicos.

Em algumas variedades, como o tomate longa vida, a inibição genética da enzima ACC oxidase impede a produção de etileno, retardando o amadurecimento natural — embora esses frutos possam amadurecer se expostos ao gás proveniente de outros frutos.


Ácido Abscísico (ABA)

O ácido abscísico (ABA) é um hormônio vegetal que atua principalmente nos processos de resposta ao estresse e regulação do desenvolvimento das plantas. Descoberto na década de 1960, inicialmente foi associado à queda de folhas e frutos (abscisão) e à dormência de gemas, mas hoje se sabe que seu papel mais relevante está no controle da perda de água e na dormência das sementes.

O ABA é um composto com 15 átomos de carbono, sintetizado a partir do metabolismo do carotenoide zeaxantina. Sua produção ocorre em praticamente todas as células vivas, e aumenta de forma expressiva quando a planta enfrenta condições de estresse hídrico. Em situações normais, a concentração desse hormônio nos tecidos é baixa, mas durante períodos de seca, seus níveis podem crescer até mil vezes. O ABA circula pela planta através do xilema e floema, conectando raízes e parte aérea.

Principais funções do ABA

1. Fechamento dos estômatos durante o estresse hídrico
Em condições de seca, o ABA atua como um sinal químico que reduz a perda de água. Ele é produzido nas raízes e transportado até as folhas, onde provoca o fechamento dos estômatos — pequenas aberturas responsáveis pelas trocas gasosas.
Esse fechamento ocorre porque o ABA altera o fluxo de íons nas células-guarda, promovendo a saída de potássio (K⁺) e cloro (Cl⁻). Com isso, as células perdem água por osmose, diminuem de volume e fecham o poro estomático, reduzindo a transpiração e conservando a umidade interna da planta.

2. Desenvolvimento e dormência de sementes
O ABA também regula o amadurecimento e a dormência das sementes. Durante o desenvolvimento embrionário, ele estimula a síntese de proteínas de reserva e impede que as sementes germinem prematuramente dentro dos frutos — um fenômeno chamado viviparidade.
Ao final da embriogênese, o aumento de ABA induz a dormência, garantindo que a germinação ocorra apenas sob condições ambientais favoráveis. A quebra dessa dormência depende da redução da proporção ABA/giberelinas (GA), o que normalmente ocorre quando a semente é exposta à umidade, luz e temperatura adequadas.


O estudo dos hormônios vegetais representou um marco na compreensão de como as plantas crescem, se desenvolvem e reagem ao ambiente. A partir dessa descoberta, a agricultura passou a contar com uma base científica sólida para otimizar processos produtivos, tornando o cultivo mais previsível, eficiente e sustentável. Essas substâncias, embora atuem em concentrações mínimas, exercem efeitos profundos sobre o metabolismo e a estrutura das plantas.

 Graças ao domínio sobre o uso de fitormônios — naturais ou sintéticos — é possível hoje controlar o florescimento, o enraizamento, o amadurecimento de frutos e a resistência a estresses ambientais, fatores decisivos para a produtividade agrícola. Além disso, o conhecimento sobre a interação entre diferentes hormônios tem permitido avanços em biotecnologia vegetal, na propagação de mudas e na melhoria genética de espécies, promovendo o desenvolvimento de cultivares mais adaptadas e de maior valor econômico.

Em suma, os hormônios vegetais são o elo entre a ciência e a prática agrícola moderna — unindo fisiologia, tecnologia e sustentabilidade para garantir o crescimento equilibrado das plantas e o fortalecimento da agricultura diante dos desafios do futuro.

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