El Ninõ e seus impactos na agricultura
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14 agosto, 2026

El Ninõ e seus impactos na agricultura

Entenda o que é o El Ninõ, como ele pode afetar as diversas regiões do Brasil e qual o papel da Ferticorreção na atenuação de estresses dentro das lavouras.

O fenômeno climático conhecido como El Niño já está confirmado e acontecendo! Muito além de monitorar a temperatura das águas do Oceano Pacífico, é necessário analisar esse período com cautela para que as tomadas de decisão sejam mais assertivas.

O El Niño é caracterizado por não atuar de maneira uniforme em todo o país, sendo comum a ocorrência de fortes regimes pluviométricos na Região Sul e períodos de calor e falta de água nas regiões Norte e Nordeste. Porém, podem ocorrer variações conforme a época do ano e a interação do fenômeno com outros sistemas atmosféricos.

Apesar de períodos de chuva e de falta de chuva serem comuns, o que mais preocupa é a irregularidade na distribuição e na duração desses extremos.

Na prática, este será o ano em que aqueles que vêm fazendo o “dever de casa” ao longo dos anos poderão colher bons frutos. O produtor que se preocupou com:

  • Plantas de cobertura;
  • Plantio na palha;
  • Solo descompactado;
  • Terraceamento;

pode ficar mais tranquilo, mas isso não significa que os cuidados devam ser reduzidos. Essas são práticas que a Ferticorreção incentiva e que podem ser a chave para diferenciar uma lavoura preparada para um período crítico de uma lavoura que sofrerá mais intensamente com ele.

Sendo assim, o planejamento para a safra 26/27 exigirá cautela e deverá ser detalhado de acordo com a região, o tipo de solo, a cultura implantada na área, a época de semeadura, a cultivar e as características topográficas da área.

El Niño já começou

Oficialmente, o fenômeno foi identificado no primeiro semestre de 2026, mas sua interação já vem se tornando típica. Para o agro, a maior preocupação deve ocorrer durante a primavera e o verão, época em que o plantio, o florescimento e o enchimento de grãos das principais culturas agrícolas estão a pleno vapor.

O primeiro boletim do Painel El Niño 2026-2027, publicado em junho, confirmou a configuração típica do fenômeno e indicou probabilidade superior a 90% de permanência até, pelo menos, o início de 2027.

O que isso representa na prática?

Para os produtores da Região Sul, o principal problema será o excesso de chuva. Apesar de a chuva ser sempre bem-vinda, o excesso de água pode trazer riscos:

  • Dificuldade para o trânsito de máquinas agrícolas;
  • Escorrimento das camadas superficiais do solo;
  • Alagamento de áreas sem drenagem;
  • Atraso no período de semeadura;
  • Necessidade de troca de cultivar;
  • Estabelecimento insuficiente da lavoura;
  • Favorecimento de patógenos;
  • Aumento no número de aplicações de defensivos.

Algumas práticas podem amenizar os impactos do excesso hídrico. Entenda o porquê:

  • Plantas de cobertura: a diversidade de raízes contribui para uma melhor taxa de infiltração de água no solo, diminuindo a possibilidade de encharcamento;
  • Palhada: protege o solo dos impactos das gotas de chuva, reduzindo o escorrimento superficial, que pode carregar consigo partículas de solo e adubos;
  • Descompactação: também favorece a infiltração de água;
  • Terraceamento: diminui a força e a velocidade com que a água escoa pela superfície.

A Região Centro-Oeste tende a sofrer com a irregularidade das chuvas no período de semeadura, o que pode causar:

  • Atraso na semeadura;
  • Risco de germinação desuniforme;
  • Falhas no estabelecimento da lavoura;
  • Necessidade de replantio;
  • Possibilidade de atraso na safrinha;
  • Favorecimento de patógenos.

Práticas que podem auxiliar o produtor rural da Região Centro-Oeste:

  • Plantio na palha: mantém a temperatura e a umidade do solo em condições mais favoráveis;
  • Solo descompactado: aumenta a capacidade de exploração das raízes, favorecendo a busca por água em camadas mais profundas.

Já as regiões Sudeste, Norte e Nordeste poderão enfrentar temperaturas elevadas e falta de chuva, causando:

  • Estresse térmico;
  • Déficit hídrico;
  • Remanejamento da época de semeadura;
  • Maior cautela em áreas de piqueteamento, devido à menor oferta de pasto;
  • Atenção especial nos períodos de alta demanda hídrica, como florescimento, formação e enchimento de grãos;
  • Cautela na utilização da água em áreas irrigadas;
  • Aumento da possibilidade de queimadas.

Algumas ações podem atenuar os efeitos do El Niño nessas áreas:

  • Reserva de água;
  • Utilização de cultivares mais resistentes a estresses climáticos;
  • Atenção às áreas com histórico de seca severa;
  • Utilização de suplementação mineral em áreas de pecuária;
  • Plantio na palha: para manter temperaturas mais amenas e favorecer a retenção de umidade;
  • Geração de matéria orgânica: importante para a retenção de umidade;
  • Solo descompactado: favorece o aprofundamento das raízes em busca de água e nutrientes.

Em ambos os cenários, seja de falta ou de excesso de chuva, percebe-se que a atenção deve estar voltada aos aspectos físicos, químicos e biológicos do solo.

Física do solo como aliada na atenuação dos impactos do El Niño

A estrutura física do solo, em épocas de anomalias climáticas, é uma das chaves para amenizar seus impactos. Um solo descompactado em profundidade e com adequada distribuição de macro e microporos pode ajudar nesse processo.

Em épocas de seca: as raízes encontram menor impedimento físico, podendo se aprofundar em busca de água nas camadas mais profundas. Além disso, um solo com boa infiltração de água permite melhor armazenamento da chuva, reduzindo o escorrimento superficial e proporcionando maior aproveitamento da pouca água disponível no período.

Em épocas de excesso de chuva: um solo descompactado e com bons canais de drenagem pode ser a chave para reduzir os impactos. Quando não há impedimentos físicos, a água em excesso consegue penetrar no solo com maior facilidade, reduzindo alagamentos e escorrimentos superficiais.

Química do solo e sua relevância em tempos de El Niño

Um solo fértil é de grande valia em épocas de extremos climáticos, podendo ser um diferencial entre uma lavoura bem-sucedida e uma lavoura de baixa produtividade.

Na falta de chuva: um solo com fertilidade adequada e perfil construído em profundidade oferece condições nutricionais para que as raízes explorem as camadas subsuperficiais e busquem água, ajudando a planta a atravessar esse período com maior segurança.

No excesso de chuvas: uma planta bem nutrida consegue manejar melhor o estresse causado pelo excesso de água e pela menor incidência de luz solar. Essa combinação de chuva e tempo nublado pode aumentar a produção de EROs (espécies reativas de oxigênio), fazendo com que a planta sofra danos fisiológicos. Porém, quando a nutrição está equilibrada, a planta apresenta melhores condições para combater os efeitos negativos causados pelas EROs.

Biologia como aliada em momentos de estresse

A porção biológica do solo também tem sua relevância nesses momentos de incerteza.

Em períodos de falta de chuva, microrganismos podem auxiliar na busca por água, como é o caso dos fungos micorrízicos, que colonizam as raízes e atuam como uma extensão do sistema radicular, auxiliando na exploração de um volume maior de solo em busca de água e nutrientes.

Já em épocas de excesso de chuvas, a presença de microrganismos benéficos pode auxiliar na supressão de doenças, contribuindo para uma melhor sanidade da lavoura e permitindo que a planta direcione energia para outros processos, em vez de utilizá-la de forma excessiva na ativação de mecanismos de defesa.

A Ferticorreção como um novo olhar sobre a fertilidade do solo

Não existe uma “bala de prata” capaz de livrar o produtor do Sul ou do Norte das intempéries climáticas. O que existe é ciência, aplicabilidade e manejos que podem atenuar seus efeitos.

Um olhar integrado entre química, física e biologia permite enxergar o solo como um todo: um sistema complexo, vivo e que depende de um manejo adequado para se tornar mais resiliente.

A sinergia entre esses aspectos proporciona melhores condições para a planta que enfrenta situações de estresse na lavoura e também traz mais segurança ao produtor, que depende do solo como base de sua atividade e fonte de renda.

Entender como o El Niño poderá se comportar e tomar decisões com base técnica aumenta significativamente a assertividade das escolhas.

Em uma empresa a céu aberto, cada detalhe faz a diferença. Quem já vem fazendo o básico bem feito tende a estar mais preparado e confiante diante do fenômeno climático previsto.

Agricultura é resiliência, força e determinação. A Ferticorreção preza para que, cada vez mais, a eficiência e a lucratividade das lavouras sejam ampliadas. Nossa missão é contribuir para alimentar o mundo, auxiliando o produtor a ampliar seu conhecimento e a tomar decisões cada vez mais assertivas.

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